sexta-feira, 3 de julho de 2015

Passando o bastão - Reflexões de um CIO geração ........... By: Wellington Coelho
Chega uma hora em que teremos que passar o bastão para os outros. Trazendo para o mundo digital, mundo este que conhecemos bem, talvez preparar de verdade um sucessor seja uma das formas mais primárias de colaboração. Colaboração com quem irá te suceder, com a organização, mas, também, um gesto de profunda generosidade e profissionalismo. Para colaborar não é preciso possuir tablets, smartphones de última geração, nenhum tipo de software ou mesmo um perfil em uma rede social. Tem que ter, sim, um imenso desejo de compartilhar e de promover a continuidade. Estamos envelhecendo, temos e devemos que desenvolver sucessores nas nossas empresas. É preciso ensinar e passar adiante o que aprendemos. Não somos eternos nem insubstituíveis. Seria uma pena ver todo esse conhecimento e experiência não sendo aproveitados. Enquanto temos tempo, devemos investir nas gerações que estão chegando, não retendo o conhecimento que a duras penas absorvemos ao longo de nossas carreiras. Ele pode, de alguma forma, ser útil aos que ainda estão em formação. Ao repassar informação e conhecimento temos a chance de assimilar novos pontos de vista, testar o que aprendemos e enxergar, sob uma nova perspectiva, o que realmente sabemos. Com certeza ocorrerão debates a respeito dos temas discutidos, e todo debate aberto e construtivo é sempre bem-vindo. Devemos encarar este momento como uma oportunidade ímpar para nos reinventar e, principalmente, testar a nossa capacidade de desapego ao que já está fundamentado. A nossa experiência é importante para os jovens que estão iniciando suas carreiras, basta lembrar de quando começamos, como éramos imaturos e inexperientes. Busquemos na memória as lições e o aprendizado que recebemos. Quantos tropeços e quantas das nossas dificuldades foram atenuadas por alguém com mais experiência que nos indicou um caminho, uma luz ou nos apoiou em um momento difícil. Quantas decisões foram tomadas por nós de forma acertada, após ouvir um conselho de um amigo, de um supervisor, alguém com mais experiência e maturidade que nos ajudou a chegar onde estamos. Reter conhecimento é egoísmo, é como uma grande massa de água represada, sem vazão e estagnada. É preciso fazer a água seguir seu curso, ser renovada, chegar até onde ela seja necessária. No mundo colaborativo, a tecnologia encurta distâncias, aproxima virtualmente as pessoas, colabora diariamente e inesgotavelmente com milhões de informações para com o infinito banco de dados da “Barsa” universal do conhecimento. Mas na hora de entregar o bastão, o que vale mesmo é o legado que deixamos, as relações que construímos, o profissional que ajudamos a lapidar, mas principalmente aquela sensação maravilhosa e indescritível do dever cumprido. Aquela certeza de que nada ficou retido, que deixamos fluir e que disponibilizamos todo o conhecimento que possuíamos para aqueles que tiveram interesse em buscar. Nada mais oportuno e verdadeiro que as palavras da maravilhosa Cora Coralina “feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Devemos estar preparados para abandonar tudo o que fazemos para sobreviver no futuro. Será o momento, então, de adquirir novas experiências e novos conhecimentos que não foram possíveis de serem descobertos e saboreados ao longo de nossas vidas, pois estávamos ocupados demais em brincar de viver. Afinal, a vida não para por aí, não estamos nos tornando velhos, na verdade estamos nos tornando um clássico. Wellington Coelho CIO – Teksid do Brasil

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